Bastas vezes sou tido como perfeccionista. Não menos vezes são os meus amigos a me apontarem esta característica idiossincrática.
Não me considero assim tão mariquinhas, no entanto é factual a minha propensão para fazer as coisas bem feitas. Na brincadeira entre colegas de trabalho costumo dizer que a minha capacidade para errar é meramente teórica. Mas nem sempre fui assim.
Quando andava na primária detestava estudar e andei na escola no tempo em que realmente se aprendia algo por lá. Na realidade, quando fui para a primeira classe já só me faltava saber resolver equações de segundo grau. Já sabia ler e escrever e fazer contas aplicando as quatro operações matemáticas básicas. Conclusão: enquanto os meus colegas estavam entusiasmados por estarem a aprender coisas novas eu estava aborrecido por estarmos sempre a fazer a mesma coisa. Tanto era que achava estudar uma coisa enfadonha. De facto naqueles anos da minha meninice eu achava o meu emprego de sonho como sendo o de pintor de construção civil.
E porquê? - perguntam vocês.
Simples - respondo eu - porque não implicava ter de estudar lá grande coisa. Bastava (e continua a bastar) saber distinguir as cores e ter equilíbrio em cima de um andaime.
Com o tempo a minha habilidade nos estudos foi aumentando ao ponto de ser considerado dos melhores entre os meus pares e essa admiração que crescia entre os meus colegas tinha de ter algum reflexo. O reflexo meus amigos foi ter mudado a minha caligrafia e começar a fazer excelentes (eu sei que sou imensamente modesto) apontamentos que toda a gente queria fotocopiar.
Portanto meus caros, da próxima vez que me disserem que tenho "letra de gaja" pensem duas vezes. Não vá levarem uma nega às vossas requisições pelos meus apontamentos dos tempos da Universidade.